Resenhas

[Resenha] Alucinadamente Feliz – Jenny Lawson

28/01/2019

Olá, boa noite leitores!

Para este novo ano decide mudar a maneira como escrevo as minhas resenhas. Ao invés de escrevê-las ao final da leitura, pensei que seria interessante ir anotando observações, trechos e até quem sabe músicas que acho que são relacionadas e/ou então frases soltas que estou pensando no momento. Para realizar o teste escolhi o livro Alucinadamente Feliz, uma história diferente de tudo que já li, pelo menos é o que estou percebendo, porque sim, enquanto escrevo já estou na página 29, haha!

Páginas: 352

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Sinopse:

Jenny Lawson está longe de ser uma pessoa comum. Ela mesma se considera colecionadora de transtornos mentais, já que é uma depressiva altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos). Por essa perspectiva, sua vida pode parecer um fardo insustentável. Mas não é.

Após receber a notícia da morte prematura de mais um amigo, Jenny decide não se deixar levar pela depressão e revidar com intensidade, lutando para ser alucinadamente feliz. Mesmo ciente de que às vezes pode acabar uma semana inteira sem energia para levantar da cama, ela resolve que criará para si o maior número possível de experiências hilárias e ridículas a fim de encontrar o caminho de volta à sanidade.

É por meio das situações mais inusitadas que a autora consegue encarar seus transtornos de forma direta e franca, levando o leitor a refletir sobre como a sociedade lida com os distúrbios mentais e aqueles que sofrem deles, sem nunca perder o senso de humor. Jenny parte do princípio de que ninguém deveria ter vergonha de assumir uma crise de ansiedade, ninguém deveria menosprezar o sofrimento alheio por ele ser psicológico, e não físico. Ao contrário, é justamente por abraçar esse lado mais sombrio da vida que se torna possível experimentar, com igual intensidade, não só a dor, mas a alegria.

Dia 31/12/2018 23:15

Estou gostando do livro? Humm, está sendo uma experiência distinta, há trechos que de certa forma fazem o leitor se identificar e refletir sobre um turbilhão de coisas. A personagem principal sofre de quase todos os distúrbios do sono, dentre eles a insônia crônica; gosta de taxidermia; transtorno do controle de impulsos; tricotilomania; dermatilomania; é intolerante a lactose e possui artrite reumatoide. Para atenuar a depressão, ela decide ser alucinadamente feliz, ou seja, viver da melhor forma, pois pensa ser um jeito de combater tudo que a faz mal, já que ficar sofrendo e remoendo tudo não lhe ajudará em nada. Por que não tentar transformar os males em bens, não é mesmo!?

Deveriam mudar a expressão “como achar uma agulha num palheiro” para “como achar uma caneta que funcione naquela gaveta cheia de canetas sem tinta”.

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Minha avó dizia: “Você não iria gostar de ser atropelada por um ônibus usando esse tipo de calcinha”, mas não acho que a calcinha tenha sido inventada para fazer alguém gostar de ser atropelada por um ônibus. Além disso, quando se é atropelado por um ônibus, acho que a roupa de baixo é a última coisa com que alguém se preocupa.

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Outras mulheres podem demonstrar sua adoração com belos assados ou pantufas feitas à mão, mas a minha é canalizada por cadáveres de animais. 

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E ele está errado, porque na melhor das hipóteses eu morro dormindo. Vou deitar e nunca mais acordar. A pior das hipóteses? Ser devorada por palhaços.

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Afinal de contas, as pessoas mais interessantes já foram quebradas, consertadas e quebradas outra vez.

Dia 02/01/2019 23:30

Há momentos de humor,

há situações que impactam,

há identificações e

há “loucuras”

Ao ler este livro, somente consigo pensar em quão enriquecedora esta sendo a experiência, há tantos trechos que nos fazem refletir e é bizarro como transtornos ou simples pensamentos da autora nos fazem rir, sim, rimos de coisas que normalmente são tratadas como tabu, que não devem ser mencionadas. Eu acho isso ótimo, acredito que se fosse desenvolvido um trabalho discorrendo mais acerca dos diversos transtornos, com campanhas, vídeos e até depoimentos, mais pessoas se sentiriam a vontade para conversar e procurar ajuda, porque quantas e quantas pessoas ficam se escondendo de si, fingindo que o problema não existe, que é um mero acontecimento temporário e que logo passará. A personagem fala de sua “loucura” e acaba envolvendo o leitor de tal forma que é como se estivéssemos vivenciando determinados momentos juntos. Além disso, apesar de ser tratado assuntos intensos, a autora consegue suavizar e até mostrar o outro lado, o lado da pessoa que sabe que tem um problema e que tenta lutar com esses monstros.

É tocante o relacionamento do casal.

Dezoito anos. Ela repleta de transtornos, ele repleto de corretismos. Uma compreensão nem sempre mútua, mas um companheirismo sempre presente.

Momento confissão: eu quando estou ansiosa, muito ansiosa com algo ou inquieta, tenho a mania de arrancar a pele ao redor dos dedos, principalmente do dedão. Isso é algo bonito de se falar? Não, mas o que quero dizer é que todos possuem algum ponto que incomoda e cada um trata de uma maneira, assim como eu faço isso e não gosto do que faço, tento me controlar, outras pessoas recorrem a bebida, as drogas, arrancando cabelo e por aí vai. Ao conhecer a história de uma mulher que tem tanto distúrbio e transtorno só me faz pensar o quão difícil deve ser seu cotidiano, desgastante, uma luta constante consigo mesmo, porque afinal não se fica assim porque quer. Por isso é necessário ter mais empatia e aprender a respeitar e não julgar. O mundo não é perfeito. As pessoas não são perfeitas. A rotina e a história da vida corrida e conturbada deixa tudo imperfeito.

Sei que consegui conquistar uma vida que permite me esconder quando preciso, porque eu não saberia viver de outro modo. Sei que, quando tenho uma crise de ansiedade, meu corpo não vai me matar — apesar de essa ser a sensação. Sei que, quando pensamentos suicidas tomam conta da minha cabeça, preciso contar a alguém que possa me ajudar, pois a depressão é manipuladora e ardilosa. Sei que a depressão mente. Sei que, nas poucas semanas por ano em que meu rosto parece a máscara de um estranho e só a dor física consegue me trazer de volta para meu corpo, há um limite para quanto posso me ferir e continuar segura na minha própria cama. Eu sei que sou louca. E isso faz toda a diferença.

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Eu me escondi no banheiro e mandei um SMS desesperado para meu amigo Neil Gaiman (um autor e narrador brilhante) dizendo que estava em pânico e prestes a perder a chance de contar minha história porque minha voz denunciava como eu me achava fraca e insignificante. Ele respondeu com
uma única frase que nunca esqueci: “Finja que é boa nisso.”

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Depois que se encontra o remédio certo para o câncer, fica-se imune à doença para sempre. E, caso a doença retorne, provavelmente é só uma reação ao consumo exagerado de glúten ou ao fato de não se ter rezado direito. Certo? Bem, não. Mas esse mesmo raciocínio ridículo é o que pessoas que sofrem de transtornos mentais ouvem frequentemente… E não só de amigos bem-intencionados e pessoas que conseguiram resolver os próprios problemas sem medicamentos, ou pessoas que não entendem que um transtorno mental pode ser perigoso e até fatal se não for tratado… mas também de alguém muito mais próximo e manipulador.

25/01/2019 23:00

Um desfecho previsível e necessário! Depois de alguns dias, tudo bem, muitos dias sem ler, me rendi as palavras/distúrbios narrados da autora e enfim, finalizei o título. Alucinadamente Feliz é um livro que ora é humor, ora drama, uma mescla de sentimentos e turbilhões de altos e baixos, situações bizarras, que nos fazem nos identificar em algum momento, seja apenas um trecho, um capítulo ou grande parte do enredo. Eu gostei bastante da maneira como os transtornos mentais foram mencionados, penso que Jenny tem uma maneira única de conseguir falar sobre assuntos que são extremamente sérios e que muitas vezes não são compreendidos, pelo contrário, são tidos como “frescuras”.

É difícil explicar o que é um transtorno de ansiedade. Não me assusto com as coisas que assustam os outros. Não tenho problemas com cobras, palhaços nem agulhas. Posso entrar num necrotério e fazer companhia aos mortos numa boa. Posso olhar para baixo de alturas alucinantes ou caçar
fantasmas em hospícios abandonados. 

A maioria das pessoas tem medo de falar em público, mas fico bem em palcos e posso conversar confortavelmente com mil pessoas. O que me assusta não é o palco… o terror, o pavor, encontra-se nas milhões de coisas que podem dar errado até eu chegar a esse palco. E se eu me perder? E se
alguém me reconhecer? E se ninguém me reconhecer? Onde posso me esconder até dar a hora de entrar? E se, enquanto eu estiver me escondendo, as pessoas virem quem eu sou de verdade… a Jenny aterrorizada, que é entediante e estranha e olha tudo como um animal assustado, em pânico, até chegar ao palco e saber que está no lugar certo e não tem outra opção além de falar? Nesse momento, o terror se dissipa por alguns minutos, pois não preciso tomar decisões ou me perguntar o que meu rosto está fazendo. Posso relaxar, porque por esse breve momento não tenho escolha a não ser respirar e seguir em frente.

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Eu queria que alguém tivesse me contado essa verdade simples, mas difícil de entender: mesmo quando tudo está dando certo, ainda dá para se sentir triste. Ou ansiosa. Ou desconfortavelmente entorpecida. Afinal, nem sempre se pode controlar o cérebro ou as emoções, mesmo quando as
coisas estão perfeitas.

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A Teoria da Colher foi criada pela minha amiga Christine Miserandino para explicar os limites de uma pessoa que sofre de uma doença crônica. A maioria das pessoas saudáveis tem um número aparentemente infinito de colheres à sua disposição, cada uma representando a energia necessária
para uma tarefa. Você se levanta de manhã. Isso é uma colher. Você toma um banho. Mais uma colher. Você trabalha, brinca, limpa, ama, odeia, e lá se vai uma montoeira de colheres… Mas, quando somos jovens e saudáveis, ainda temos colheres sobrando ao deitarmos e esperamos pela próxima entrega de colheres na manhã seguinte.

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Por favor, me digam a verdade (não tem problema se as respostas forem anônimas). Quantos
dias em um mês vocês sentem mesmo que arrasaram, ou que de forma geral foram uma pessoa
bem-sucedida? O que faz vocês se sentirem pior? O que fazem para se sentir bem-sucedidos?

Um detalhe que penso ser interessante mencionar são os títulos, a autora introduz os capítulos com criatividade e “insere” na cabeça do leitor um quê de curiosidade acerca do que encontrará nas próximas páginas.

Para finalizar, comece esta leitura com a consciência de que se sentirá perdida, tentará compreender o que leu, até vai reler alguns trechos achando que não estava prestando atenção e chegará um ponto que saberá que é algo proposital -não forçado, pelo contrário, natural -, apenas uma pessoa expressando o que sente em palavras, narrando o que se passa em sua mente e no seu dia a dia.

Se ainda não conhece essa maravilhosidade, não perca tempo, garanto que mudará muito a sua visão envolvendo transtornos e pessoas que as possuem.

Desculpem pelos inúmeros trechos, não resisti e olhe que tive que me conter muito, já que o título é recheado de boas passagens! Espero que tenham gostado deste tipo de resenha, eu me diverti e foi interessante realizar pequenas observações e deixar a escrita fluir no exato momento em que a emoção estava no ápice.

Boa leitura, beijos!