Conjuntinho de Palavras

Sou eu ou o mundo está de ponta cabeça?

26/01/2019

Nascemos, aprendemos a falar, a observar nossos pais e fazer tudo que eles fazem, aos poucos vamos adquirindo “liberdades” como escolher a própria roupa, qual alimento favorito, cor e por aí vai. Aprendemos que a cada dia vivido é uma aventura e que até mesmo o dia aparentemente mais tedioso teve sim algum momento angustioso, que nos ensinou algo ou então algo surpreendente, que acrescentou. Quando pequenos acreditamos na bondade humana, somos tão inocentes que sequer percebemos as diferenças, sejam elas físicas, econômicas, mentais, isso começa a acontecer quando somos colocados na selva junto aos demais. Estresse, ansiedade, depressão, correria e ganância são verdadeiros monstrões que se alojam e começam a se desenvolver pouco a pouco, dia a dia e que quando não são tratados atingem um ápice que causa destruição.

A ideia de crescer, começar uma faculdade, arrumar o emprego dos sonhos, o namorado perfeito, atingir o equilíbrio financeiro, comprar uma casa, um carro, ter filhos e envelhecer ao lado da família formada se tornou algo tão obsoleto. Por que devemos seguir essas metas e achar que somente assim seremos felizes? Penso que cada um tem a sua trajetória, passa por momentos difíceis e sabe até onde pode e quer chegar ou pelo menos que almeja.

Emprego dos sonhos nem sempre existe, vivemos em um teatro, pessoas saem de casa prontas para interpretar um papel e é exatamente por isso que a imagem de certas profissões se tornam tão desejadas. Não que não sejam maravilhosas, mas precisam ser analisadas, até onde vale a pena trocar a tranquilidade para atingir altos níveis de estresse a custa do dinheiro? Dinheiro este que nem sempre salvará depois.

O que quero dizer é que observamos algumas carreiras e imaginamos que são sublimes, que serão sempre compostas por sorrisos, quando na verdade podem desgastar e muito. Por isso prime SEMPRE pelo que gosta de fazer, corra atrás, estude, aperfeiçoe-se, prepare-se, porque haverá momentos estressantes sim, mas que com certeza conseguirão ser resolvidos com uma maior destreza e rapidez e sabe o motivo? Porque haverá paixão, vontade de resolvê-los e não somente a necessidade forçada.

Percebo diariamente funcionários que não se empenham, que tratam seus serviços como uma maneira de ganhar dinheiro, pessoas que estudam, estudam e estudam, passam em concursos e quando assumem não querem mais se esforçar, tratam os problemas alheios com pouca significância e se tornam meras variáveis de uma equação que teria tudo para ser simples, mas que fica sem um resultado.

É frustrante ver profissionais tão desligados, sequer preocupados minimamente com seus clientes. A que ponto chegamos que uma simples atitude é colocada num altar quando ela deveria ser algo normal. Um exemplo bem concreto, trabalho com público, atendimento aos mais diversos tipos de clientes, dos mais ricos até os mais pobres, pessoas que mal olham para você e outras que lançam olhares representativos. Talvez seja da criação, local de residência, personalidade ou uma mescla de tudo, tenho aquele calor, um sorriso para acalentar e não consigo ser apenas uma atendente fria que sequer se importa com os outros e quantas e quantas vezes sou elogiada por ser educada, simpática e ouvir e apesar de agradecer fico pensando se seria o correto, porque o correto seria isso ser algo comum, todos deveriam ser assim, pensar um pouquinho mais no próximo, a tal da EMPATIA, sabe!?

O mundo somente se tornará um lugar melhor quando houver uma reciprocidade que não custa nada e traz benefícios absurdos! Tente ajudar alguém e sinta o bem que lhe fará, depois volte e me conte. Uma palavra amiga, um elogio inesperado, um ato sem segundas intenções.

Não julgue tanto, não pense que o outro está melhor que você, que não tem problemas, pois às vezes quem mais parece bem é quem pior está. Fácil é demonstrar em um feed do Instagram o quão gostosa a vida é, difícil é vivenciar isso no modo offline, sem um filtro, um ajuste, uma conexão, curtidas e comentários.

Não tinha em mente inicialmente mencionar, mas foi/é algo tão impactante que não há como não. A tragédia, o crime ambiental contra Brumadinho é a prova de que nos tornamos triviais personagens sem valor, que vale muito mais o dinheiro do que uma vida. Quantas e quantas vidas foram perdidas, desde pessoas até seres micro, seres que mal conseguem se defender da natureza em sua forma natural. É triste, infelizmente o mundo está de ponta cabeça, o que era essencial se tornou insignificante e o insignificante muito essencial. Eu sinto muito pelo acontecido, sinto por morar em um mundo que situações assim se repetirão, pois sabemos que não foi a última vez. Torço para que as crianças de hoje, os jovens e VOCÊ que está lendo altere isso, que tenha força para fazer o diferente, lutar contra a ambição desmedida e que atos tão vangloriados se tornem comuns, corriqueiros.

Acho que é isso, eu AMO escrever e vez ou outra virei aqui “desabafar” no meu cantinho – categoria- que apelidei carinhosamente de conjuntinho de palavras, haha!

Boa leitura, bom fim de semana, beijos!