Resenhas | Reservei na Biblioteca

[Resenha] A Escolhida – Lois Lowry (Série O Doador de Memórias #2)

23/09/2018

Olá, boa noite leitores!

Depois de muito tempo afastada, enfim, consegui finalizar uma leitura, estou falando de A Escolhida, o segundo livro da série O Doador de Memórias, série esta composta por quatro livros. Assisti ao filme referente ao primeiro livro e achei a história interessante, somente devo confessar que não aceitei muito bem o desfecho e devido a isso fui procurar para saber se não havia uma continuação e que surpresa boa encontrar mais três livros: A Escolhida, O Mensageiro e Filho, tradução livre para Son, título ainda não lançado no Brasil.

Em A Escolhida conhecemos a história de Kira, uma jovenzinha que ao perder os pais é vista pela comunidade como um fardo e que precisa lutar muito para não ser descartada. Nesta comunidade todas os bebês que nascem com qualquer problema são abandonados e os que ficam órfãos são simplesmente entregues para o primeiro que assim o desejar.

Com apenas pouco tempo de vida e uma deficiência na perna, Kira demonstra a sua mãe que possui muita garra e posteriormente que nasceu com um dom especial, o dom do bordado. A figura materna sente que a garotinha é especial e não tem coragem de entregá-la, decide ela mesmo ensinar tudo que sabe e protegê-la.

Sem família e tendo que velar a mãe, Kira perde sua casa, que é queimada com a justificativa de que pode contaminar a população com resquícios da doença. Sem ter onde morar e com o medo de ser mandada para o lugar onde os mais fracos vão para morrer, ela consegue uma defesa diante de um julgamento intenso e perturbador que não somente decidirá seu destino como também provará sua importância.

Entre feras perdidas na floresta, a solidão de não ter uma família, um importante trabalho, amizades inesperadas, mortes misteriosas e uma incrível descoberta envolvendo seu protetor e seu passado, a jovem precisará tomar decisões que afetarão tanto o destino de muitas pessoas como o seu.

Eu gostei do enredo, mas não há como negar que esperava encontrar o mesmo cenário de O Doador de Memórias e não uma nova história com um contexto tão distinto. A autora soube bem como trazer elementos curiosos como os nomes dos personagens que são escolhidos de acordo com a idade. Ao nascer recebem apenas uma sílaba e com o passar do tempo vão sendo acrescidos de mais, como é o caso de Annabella.

“– Ela tem quatro sílabas, Thomas. Os que vivem até as quatro sílabas sabem tudo o que há para saber.”

Mas também sinto que faltou um quê a mais, é uma narrativa bem simples, sem tantas oscilações e aventuras.

Distopias me surpreendem e envolvem, penso que são fundamentais para que possamos discutir acerca de nossa existência e de como tratamos algo tão frágil como a vida de forma às vezes relapsa.

Quotes

“– Presente?
Kira se espantou por ele não entender.
– É quando você dá algo especial para alguém porque se importa com a pessoa. Algo que ela vai guardar com carinho. Isso é um presente.”

“– Por que um lugar terrível destes precisa existir? – sussurrou Kira para Thomas.
–Por que as pessoas têm que viver assim?
– É como as coisas são – respondeu Thomas, franzindo a testa.
– Sempre foi assim.
Uma visão repentina invadiu a mente de Kira. A túnica. Ela mostrava como tinha sido
no passado, logo o que Thomas falava não era verdade. Houve épocas muito, muito
distantes em que a vida das pessoas havia sido dourada e verde. Por que um tempo
parecido não poderia voltar?
– Thomas, não somos nós que preenchemos os trechos vazios? Talvez possamos
mudar isto.”

“– Quem são eles? Essas pessoas que têm o azul?
Ele encolheu os ombros magros e franziu a testa em uma expressão de ignorância.
– Num sei. Eles são todos quebrados, o pessoal de lá. Mas têm muita comida. E é
sossegado e gostoso lá praqueles lados.
– Como assim, quebrados?
Ele gesticulou para a perna deformada de Kira.
– Igual a ocê. Tem uns que não andam direito. E uns que têm outras partes
quebradas. Não é todo mundo. Mas eu vi um monte. Ocê acha que eles são tranquilos e
bonzinhos porque são quebrados?
Intrigada com a descrição de Matt, Kira não respondeu. A dor deixa você mais forte,
dissera-lhe sua mãe. Ela não falara tranquila ou boazinha.”

Li este título em poucas horas e foi uma leitura fluida, contudo não há como não mencionar que o ápice é de certa forma óbvio. Espero fortemente encontrar mais mistérios e respostas em O Mensageiro, a continuação.

Gostou da história e quer adquiri-la?

Amazon

Saraiva

Boa leitura, beijos!