Resenhas

[Resenha] O Sol Também é uma Estrela – Nicola Yoon

09/06/2017

Oii, boa tarde leitores!

A resenha de hoje envolve o livro  “O Sol Também é uma Estrela”, da Nicola Yoon.

Natasha não acredita em destino, sorte e pensa que sentimentos como o amor são meras reações do corpo. Prefere a boa e velha ciência, tanto que pensa em ser Cientista de Dados. Mora em um pequeno apartamento em Nova York com os pais e o irmão mais novo. Ela nasceu na Jamaica e se mudou ainda muito nova, pois a mãe não aguentava mais a situação de se manter afastada do marido. Contudo, a promessa que ele tinha feito a família seria de que passaria pouco tempo em Nova York para se ajeitar e arrumar um emprego fixo como ator, tinha até como meta estrelar em peças da Broadway, porém, nada disso acontece e por isso atualmente vivem de modo simples em um apartamento de apenas um quarto, onde os filhos precisam dormir na sala. Além disso, quem trabalha em mais de um turno e mantém as contas pagas é a esposa.

Se não bastasse a difícil situação, o pai de Natasha se embriaga, bate o carro e acaba contando aos policiais toda sua história, inclusive que está nos Eua de forma ilegal. O resultado desta confissão é a deportação da família toda rumo à Jamaica.

A jovem acha injusto ter que voltar a seu país de origem tão repentinamente e logo no último ano, foi difícil para a mesma se encaixar na atual cidade e agora que se sente bem, possuindo apenas 12 horas na cidade, decide correr atrás de uma maneira para adiar e/ou até mesmo cancelar a deportação. Durante o caminho, acaba esbarrando em Daniel e tudo que ela fazia questão de afirmar, começa a se alterar…

Daniel é um jovem apaixonado por poesia que devido a influência da família terá que ser médico. Seus pais são super tradicionais e pensam que este é o melhor caminho para o filho, não querem que ele passe dificuldades assim como eles passaram. O jovem possui um irmão mais velho que depois de ter se metido em encrenca e ter sido expulso da faculdade, acaba se tornando a ovelha negra na família, o que acarreta em tornar seu irmão mais novo o centro das atenções e orgulhos.

Daniel apesar de não querer seguir na profissão de médico, sabe que o fará pela família e justamente no dia da tão importante entrevista com um ex-aluno de Yale, ele acaba conhecendo Natasha. O encontro acontece de uma maneira tão bizarra, que o faz refletir sobre a vida, destino e coincidências.

Em meio a uma entrevista, um quase corte de cabelo, um fone rosa quebrado e uma corrida contra o tempo, os jovens perceberão que a vida às vezes esconde surpresas.

“Nomes são coisas poderosas. Servem como marcadores de identidade e uma espécie de mapa, localizando a pessoa no tempo e na geografia. Mais do que isso, podem ser uma bússola.”

“– O senhor tem alguma ideia de como é não se encaixar em lugar
nenhum? – De novo falo baixo demais para ser ouvida, e de novo ele
escuta.”

“Às vezes, quando você procura uma palavra no dicionário, vê algumas
definições indicadas como obsoletas. Natasha pensa nisso com frequência,
em como a língua pode ser escorregadia. Uma palavra pode começar
significando uma coisa e acabar significando outra.”

“Quero dizer a ele que talvez não devesse deixar tudo por conta de
Deus, e que esperar mesmo sem esperança não é uma estratégia de vida.
Mas isso significaria falar com ele, o que não desejo fazer.
As pessoas repetem essas coisas para que o mundo faça sentido.
Secretamente, no fundo do coração, quase todo mundo acredita que existe
algum sentido, alguma objetividade na vida. Justiça. Coisas boas acontecem
com pessoas boas. Coisas ruins acontecem com pessoas ruins.
Ninguém quer acreditar que a vida é aleatória. Meu pai diz que não
sabe de onde vem meu ceticismo; mas não sou cética. Sou realista. É
melhor ver a vida como ela é, e não como a gente quer que seja. As coisas
não acontecem por algum motivo. Simplesmente acontecem.”

“OS SERES HUMANOS não são criaturas razoáveis. Em vez de
governados pela lógica, somos governados pelas emoções. O mundo seria
um lugar mais feliz se o oposto fosse verdade.”

“As pessoas passam a vida inteira procurando o amor. Mas como a gente vai confiar numa coisa que pode acabar tão subitamente quanto começa?”

“Para começo de conversa, não gosto de coisas temporárias, sem provas concretas, e o amor romântico é temporário e não é passível de prova.
A outra coisa secreta que não conto a ninguém é o seguinte: não tenho
certeza se sou capaz de amar. Nem temporariamente.”

“O problema de se apaixonar, de cair de quatro, é que a
gente não tem o controle da queda.”

 

“É tudo um pouco demais. Estou me sentindo fora de controle.
– Por que isso é tão ruim?
– Gosto de ver as coisas chegando. Gosto de planejar com antecedência.
E eu entendo. Entendo mesmo. Somos programados para planejar com
antecedência. Isso faz parte do nosso ritmo. O sol nasce todo dia e cede espaço para a lua toda noite.
– Mas, como disse o segurança, planejar nem sempre funciona – falo.”

Sabe aquele livro repleto de trechos que te marcam e te fazem se identificar com as situações expostas? Pois bem, esse foi um exemplo, eu me flagrei selecionando quotes e mais quotes, desculpem pela quantidade que selecionei, não consegue deixar de mencioná-los por aqui, haha.

Eu mais uma vez fui cativada pela escrita da Nicola, além da construção dos personagens e do ambiente serem incríveis, a mesma consegue descrever inúmeras situações e sentimentos que transcorrem durante apenas um dia. Adorei o fato dos capítulos serem alternados entre todos os personagens envolvidos na narrativa e não digo apenas de Daniel e Natasha, como também os demais, desde os pais de ambos, até a funcionária do aeroporto, advogado e outros. Foi fantástico conhecer um pouco mais de cada personagem, me senti muito próxima da história.

A autora com esta história faz o leitor pensar se o que está vivendo é a união de meros fatos aleatórios ou se há algo a mais, talvez uma vida já pré-destinada. Além do romance, o livro aborda sobre assuntos que devem ser discutidos como a imigração ilegal e o racismo. Eu adorei o livro e mal posso esperar pelo lançamento de mais algum, por favor Nicola, não nos deixe órfãos por muito tempo, hihi 

Se eu gostei? Sim. Recomendo? Com toda certeza, sem dúvida, claro!

Boa leitura, beijos!